Vivemos em um tempo em que tudo chega até nós de forma muito rápida, não é mesmo? Basta rolar o feed do celular por alguns minutos para sermos bombardeados por dezenas de passos novos, sequências visualmente incríveis, cada vez mais agilidade e sapateadores extraordinários de todas as partes do mundo.
Tudo isso é realmente incrível e serve como um excelente combustível criativo. Mas, o meu recado hoje é direcionado àqueles que compreendem que o verdadeiro ofício de sapatear com excelência não se constrói na velocidade das telas.
O sapatear se constrói diariamente, no suor das aulas e, acima de tudo, na prática solitária da sala de dança, onde o único som que importa é o do metal do seu sapato encontrando o chão.
Muitas vezes, nessa enxurrada de referências, caímos na armadilha da comparação. No entanto, é vital lembrar: não somos rankings humanos; somos artistas. E, é claro, conhecemos intimamente a dor e a delícia de estar sempre "correndo atrás" de nós mesmos.
Minha experiência, tanto a minha jornada pessoal quanto a vivência diária em sala de aula com meus alunos, mostra de forma muito clara que o crescimento não se resume a consumir referências o tempo todo.
Consumir dança não é a mesma coisa que dançar.
O amadurecimento real acontece quando você decide estudar com profundidade aquela sequência, aquele passo ou aquele movimento que você escolheu praticar.
Orientações aos tap dancers
Para ajudar nesse processo de estudo profundo, deixo aqui algumas orientações que guiam o meu trabalho e podem contribuir para a jornada de vocês, queridos tap dancers:
- Aqueça;
- Escolha um passo (por exemplo, shuffles);
- Recorte um pequeno trecho;
- Investigue seus detalhes;
- Descubra diferentes formas de executá-lo, diferentes qualidades de movimento e diferentes intenções;
- Repita;
- Observe;
- Descanse;
- Faça perguntas;
- Troque ideias com quem já percorreu esse caminho;
- Permita que o tempo faça parte do treinamento;
A técnica nasce da repetição consciente, e a arte nasce daquilo que cada repetição revela.
Acredito que os grandes mestres são mestres por serem antes humildes e aprenderam a se questionar, vivenciar no corpo o que se propõe.
Sobre a autora
Com formação em Comunicação Social e Neurolinguística, Meg Lovato atua há mais de 30 anos como tap dancer, destacando-se no ensino e na prática do sapateado americano e em suas conexões com outras linguagens. Aperfeiçoou-se em centros de referência no Brasil, Nova York, Buenos Aires e Paris, em instituições como Broadway Dance Center, Step’s, Manhattan Motion, Fazil’s Studio e Europa Swing Tap Claquettes. Participou de encontros internacionais como o Tap Intensive ATDO e o Tradition in Tap. Foi Coordenadora Geral do musical infanto-juvenil “Se Meus Pés Falassem…” e colaborou com o Studio Wolf Maia em projetos de Musical Theater. Atualmente, integra a Companhia Som Somos e a KS Gold Companhia de Repertórios, e é professora do curso técnico profissional de dança do Conservatório Carlos Gomes (Campinas/SP). Seu compromisso constante com a excelência técnica e artística consolidou sua trajetória e recebeu em 2025 recebeu homenagens da Câmara Municipal de São Paulo por sua formação.